Prepare-se: na madrugada deste domingo, quando forem 2h em Portugal continental e na Madeira, os relógios atrasam 60 minutos, passando a marcar 1h. Nos Açores, a mudança ocorre à 1h, voltando para a meia-noite. Ganhamos uma hora de sono, mas nem sempre o corpo celebra da mesma forma.
Apesar de parecer uma simples questão de acertar o relógio, a verdade é que o nosso organismo pode demorar dias a ajustar-se. Especialistas alertam que o novo horário afeta o sono, o humor e até a concentração — consequências de uma pequena confusão no nosso “relógio interno”, também conhecido como ritmo circadiano.
🕰️ Uma prática com os dias contados?
O debate sobre a utilidade da mudança de hora tem-se intensificado em Bruxelas. Tanto a Comissão como o Parlamento Europeu defendem que o sistema “já não serve qualquer propósito”. A medida foi criada em 2000 para poupar energia, mas com os novos hábitos de consumo e iluminação LED, esse argumento perdeu força.
Mais de 80% dos europeus que participaram numa consulta pública em 2018 disseram querer acabar com esta alternância entre horários. Mesmo assim, ano após ano, continuamos a ajustar o relógio — e o corpo.
🌙 Efeitos no sono e na saúde
Quando o relógio muda, o corpo leva algum tempo a sincronizar-se novamente com o ciclo natural de luz e escuridão. Estudos indicam que esta alteração pode provocar cansaço, dores de cabeça, sonolência diurna e até dificuldade de concentração, sobretudo nas crianças e adolescentes.
Pessoas com perturbações de humor ou sono tendem a sentir o impacto de forma mais intensa. Há investigações que associam inclusive a privação de sono resultante da mudança de hora a um ligeiro aumento no risco de problemas cardiovasculares.
💡 Como facilitar a adaptação ao horário de inverno
A boa notícia é que há estratégias simples que ajudam o corpo a adaptar-se com menos perturbações:
- Mantenha uma rotina de sono regular — deitar e levantar à mesma hora, mesmo ao fim de semana.
- Evite cafeína, álcool e ecrãs antes de dormir; a luz azul atrasa a produção de melatonina.
- Exponha-se à luz natural logo pela manhã: é a forma mais eficaz de reajustar o relógio biológico.
- Pratique atividade física durante o dia, de preferência ao ar livre.
- Evite refeições pesadas à noite e certifique-se de que o quarto está escuro e tranquilo.
- Se precisar de dormir durante o dia, limite as sestas a 20–30 minutos.
O segredo está na consistência. Pequenas mudanças de rotina ajudam o corpo a acompanhar o relógio, sem perder energia nem bom humor. Afinal, o inverno traz noites longas e frias — e o descanso é o melhor aliado para enfrentá-las.
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