Saúde e Bem Estar

Intolerância à lactose: como saber se tem e o que deve mudar na sua vida

A palavra “lactose” já não é estranha a ninguém. Está presente nos rótulos dos alimentos, nas prateleiras dos supermercados e até nos menus de restaurantes. Estima-se que um terço da população portuguesa sofra de intolerância à lactose. A condição não é grave, mas pode trazer bastante desconforto e implica mudanças na rotina alimentar.

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Afinal, o que é a lactose?

A lactose é o açúcar natural do leite e dos seus derivados. Para ser absorvida pelo organismo, precisa de ser dividida pela enzima lactase, produzida na mucosa intestinal. Quando essa enzima é insuficiente ou deixa de ser produzida, a lactose permanece intacta no intestino, provocando sintomas como náuseas, inchaço abdominal, flatulência, diarreia ou dor.

Segundo a nutricionista Inês Soares, existem dois tipos de intolerância:

  • Primária: de origem genética, permanente e que se acentua da infância para a idade adulta.
  • Secundária: temporária, causada por doenças ou lesões na mucosa intestinal. Nestes casos, quando há recuperação, a atividade da lactase pode voltar ao normal.

Diagnóstico e sintomas

O exame mais utilizado é o teste respiratório de hidrogénio. Após a ingestão de lactose, mede-se a concentração de hidrogénio no ar expirado: valores elevados indicam má digestão deste açúcar.

Os sintomas variam conforme o grau de intolerância e a quantidade ingerida. Curiosamente, muitos intolerantes conseguem consumir pequenas doses — entre 1 a 12 g por dia — desde que espaçadas ao longo do tempo.

Mudanças práticas no dia a dia

Segundo a nutricionista, o essencial é aprender a conviver com a intolerância e adaptar a alimentação, garantindo uma dieta completa e equilibrada. Eis alguns conselhos:

  • Ler os rótulos com atenção e identificar termos como “soro de leite”, “coalho” ou “leite em pó”.
  • Substituir o leite tradicional por versões sem lactose ou bebidas vegetais (aveia, amêndoa, arroz, coco, soja, entre outras).
  • Explorar iogurtes alternativos: os iogurtes normais têm menos lactose que o leite e podem ser tolerados em casos leves, mas existem versões sem lactose e opções vegetais (coco, soja) para quem tem intolerância severa.
  • Perguntar em restaurantes ou levar refeições preparadas para garantir que não há lacticínios escondidos nas receitas.
  • Adaptar receitas tradicionais a versões sem lactose.
  • Procurar acompanhamento nutricional para evitar carências e garantir escolhas alimentares equilibradas.

O essencial

Ser intolerante à lactose não é o fim do mundo. Com informação, planeamento e acompanhamento adequado, é possível manter uma alimentação saborosa, completa e saudável — apenas com alguns ajustes no dia a dia.

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