São pequenos, peludos, com olhos esbugalhados e um sorriso que oscila entre o adorável e o assustador. Chamam-se Labubu e, em poucos anos, passaram de personagens criados por um artista de Hong Kong a fenómeno global, com direito a filas intermináveis, furtos organizados e até falsificações.
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A origem remonta a 2015, quando Kasing Lung apresentou a série The Monsters. Inspirados no folclore nórdico, os Labubu ganharam corpo: rostos de vinil em cima de peluches de 15 centímetros, com orelhas pontiagudas e nove dentes sempre à mostra. Rapidamente, a Pop Mart – gigante chinesa de colecionáveis – transformou-os em estrelas, apostando nas famosas blind boxes: quem compra não sabe que boneco vai sair. O fator surpresa funcionou como combustível para a febre, com vídeos de unboxing a multiplicarem-se nas redes sociais.
E foi precisamente no TikTok que os Labubu se tornaram virais em 2024, depois de Lisa, estrela dos Blackpink, mostrar alguns exemplares. A partir daí, celebridades de vários quadrantes seguiram a onda: Dua Lipa prendeu dois à mala Hermès, Rihanna exibiu um rosa na carteira Louis Vuitton, David Beckham ganhou um de presente da filha Harper e Madonna chegou a ter um bolo de aniversário inspirado nos bonecos.
A febre, no entanto, trouxe consequências. Em Londres, uma loja da Pop Mart teve de suspender vendas presenciais depois de confrontos entre fãs. Em Los Angeles, homens mascarados assaltaram uma loja, levando todo o stock. Os preços também dispararam: em Portugal, exemplares originais podem ultrapassar os 100 euros.
Como em todo fenómeno, surgiram cópias. Os chamados Lafufu inundaram a internet, enganando compradores menos atentos. O Better Business Bureau já emitiu alertas após dezenas de queixas de burlas, com clientes a perder centenas de euros em sites fraudulentos.
Mas porque é que estes bonecos mexem tanto connosco? Especialistas apontam para vários fatores: o contraste entre o assustador e o fofinho, que funciona como reflexo do nosso lado mais “anjo e diabinho”; a componente nostálgica, que remete para coleções de infância; e ainda a imprevisibilidade das blind boxes, comparável ao mecanismo dos jogos de azar. Some-se a isto o inevitável FOMO – o medo de ficar de fora – e temos a receita perfeita para transformar uns monstrinhos peludos em objeto de culto global.

Do ponto de vista psicológico, a popularidade dos Labubu não surpreende. Para muitos adultos, tratam-se de projeções de cuidado e pertença, num mundo cada vez mais marcado pela superficialidade digital. Para as crianças, o risco é outro: o preço elevado dos bonecos pode criar divisões entre quem consegue ter e quem fica de fora.
Adorados, colecionados, falsificados e até roubados, os Labubu já provaram ser muito mais do que simples peluches. São um espelho curioso das nossas emoções, desejos e vulnerabilidades – tudo embrulhado em 15 centímetros de vinil e pelúcia.
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