Quando se concebe um programa de ensino, é necessário, em primeiro lugar, estabelecer os objetivos. O objetivo principal da preparação do cão para a convivência diária é torná-lo obediente.
Quase todas as pessoas se justificam da mesma maneira quando levam os seus cães ao treinador. “O meu cão sabe sentar-se e deitar-se mas não vem quando está no jardim e o chamo”. Costumam dizer enquanto o seguram pela trela e este permanece, na melhor das hipóteses, com o olhar perdido e, na pior, sem cessar de fazer tentativas para se libertar.
“Por favor, mande o seu cão sentar-se” costumam dizer os treinadores aos clientes. Depois de emitir a ordem diversas vezes, usando diferentes intensidades de volume e acompanhando-a de vários gestos, aos quais se mostra imune, apresentam sistematicamente a mesma desculpa: Mas, em casa ele senta-se!
Isso não é obediência. Só podemos falar de obediência se esta se verificar sempre e à primeira ordem. Se o cão não é capaz de obedecer à distância de meio metro do seu dono quando está retido pela trela, como pretender que reaja quando, estando longe, é chamado!
A perspetiva correta implica que a predisposição do cão seja para obedecer onze vezes em cada dez que receba uma ordem. E, apesar de tudo, o seu nível de eficácia talvez só alcance as nove vezes.
Quem diz que em casa ele obedece, não mente. O que acontece é que ali não existem estímulos que contrariem os apresentados pelo dono. Quando o cão sai desse ambiente, assético no que respeita ao incitamento, sente-se imerso num universo de influências diversas. Contrariando, por exemplo, a ordem para se sentar, «sitz!», há todos os estímulos que oferecem ao cão algum interesse. Se um ou vários desses estímulos atraírem mais fortemente a sua atenção, simplesmente não se sentará.
Com a finalidade de disciplinar o cão, foram concebidos diferentes sistemas de trabalho. Apesar de todos terem as suas vantagens e desvantagens, têm o mesmo objetivo: Incutir e desenvolver no cão a convicção de que o comportamento mais interessante, entre todos os possíveis, é aquele que o treinador sugere. Perante as suas diversas opções, deve escolher, ativamente, o comportamento correto assinalado pelo comando.
Numa primeira fase do trabalho, com base no condicionamento clássico, o treinador procurará atribuir sentido aos estímulos e reforços que depois usará para gerar impulsos ou premiar condutas. Após este trabalho, o cão será capaz de se excitar com o comando enérgico «ap, ap!» e de sentir agrado perante a felicitação «bem!» ou o afago do condutor.
Recorrendo ao condicionamento instrumental o comportamento serve de instrumento para conseguir o reforço desejado. Os diferentes exercícios de obediência são ensinados ao cão. Assim, este aprende a procurar cada uma das referências assinaladas por cada um dos comandos.
Visto que a aprendizagem também conduz à aquisição de expetativas, o cão acabará por associar um determinado estado de ânimo a cada solicitação para trabalhar.
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