Um estudioso da gravidez comparou a placenta a uma vedação de quinta: «Impermeável ao gado, mas permeável aos ratos.»
Esta afirmação significa que as partículas grandes — os glóbulos do sangue e as bactérias — não atravessam a placenta, mas as pequenas — moléculas de oxigénio, pequenos vírus e a maioria das substâncias químicas — conseguem-no.
O álcool é uma dessas substâncias que atravessam a barreira placentária. Embora pouco se conheça sobre os seus efeitos, o álcool em excesso parece prejudicar o desenvolvimento do feto e provocar atraso mental. Nos casos mais graves, pensa-se que o filho de uma alcoólica pode ser já um alcoólico no útero. Na América do Norte e Europa Ocidental, 1 ou 2 em cada 1000 recém-nascidos vêm afetados.
Os especialistas não estão de acordo quanto ao que se entende por excesso de álcool na gravidez. Uns afirmam que 30 a 60 ml por dia são provavelmente inócuos. Outros pensam ser preferível que a mulher grávida se limite a um copo de vinho ocasional.
Quanto às drogas causadoras de dependência, como a heroína, os perigos para a criança são grandes: após o nascimento, o filho de uma mãe drogada apresentará sintomas de privação.
Os componentes do fumo do tabaco também atravessam a placenta, podendo provocar um menor desenvolvimento da criança. Mais tarde, à medida que cresce, a criança ficará mais pequena do que seria eventualmente se a mãe não fumasse.
A semipermeabilidade da placenta tem um lado positivo: alguns dos anticorpos da mãe conseguem atravessá-la tal como as substâncias tóxicas. Em resumo: o feto partilha dos riscos do organismo materno, mas ganha também, temporariamente, com as suas defesas.
Dado tudo isto, se estiver grávida, o melhor é evitar por completo o tabaco e o álcool, para além, obviamente, de evitar qualquer tipo de droga, seja esta leve ou pesada.
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