Castelo Branco prepara-se para um mês de outubro em grande, com dois eventos que unem arte, música e cidadania: o espetáculo Aguarda Referendo, da Companhia Camisola Preta, e o V Festival Internacional de Clarinete de Castelo Branco (FICCB). Dois momentos distintos, mas com algo em comum — o convite ao público para participar, sentir e pensar.
“Aguarda Referendo”: quando o público também vota
No dia 22 de outubro, às 21h30, a Fábrica da Criatividade recebe Aguarda Referendo, uma proposta ousada da Companhia Camisola Preta, em coprodução com A Moagem – Cidade do Engenho e das Artes. Dirigido por João Figueira, o espetáculo assume a forma de um concerto participativo, onde o público é chamado a intervir, votar e influenciar o rumo da ação.
“Quanto vale uma democracia? O meu voto conta tanto como o dos outros? Que impacto tem a abstenção?” — são algumas das perguntas que servem de ponto de partida para esta criação inspirada nos ideais do 25 de Abril de 1974.
Cada sessão é única, pois o espetáculo transforma-se consoante as decisões tomadas pela plateia. Com um cenário que se aproxima da lógica de um videojogo, a música e a performance interligam-se num processo onde a imprevisibilidade é essencial. Aqui, o espectador deixa de ser mero observador e passa a participar ativamente na construção do espetáculo, tornando o ato de assistir num verdadeiro exercício de cidadania.
Os bilhetes têm o valor de 5 euros e a classificação etária é livre — porque refletir sobre a democracia nunca é cedo demais.
O clarinete toma conta da cidade
De 24 a 26 de outubro, Castelo Branco volta a encher-se de música com o Festival Internacional de Clarinete de Castelo Branco (FICCB), que celebra este ano a sua quinta edição. Sob a direção artística de Carlos Alves, o evento reúne grandes nomes do clarinete e promete três dias de concertos, masterclasses e exposições que transformarão a cidade num ponto de encontro para músicos e amantes do instrumento.
O festival arranca na sexta-feira, 24 de outubro, com a Exposição de Clarinetes Históricos do Professor Manuel Lemos, e o Concerto de Abertura com a Orquestra Sinfonietta de Castelo Branco, dirigida por Bruno Cândido, com os solistas Florent Héau, Roman Widaszek e Carlos Alves.
O sábado, 25 de outubro, traz a apresentação do livro “Clarinete.pt”, da autoria de Nuno Silva, e o Concerto de Galacom a Orquestra Clássica do Centro, dirigida por Sérgio Alapont, com Sarah Williamson, Carlos Ferreira e Nuno Silva como solistas.
O domingo, 26 de outubro, fecha o festival com o Concerto Aberto, que junta alunos e professores no Cine-Teatro Avenida, e o Concerto de Encerramento, no Centro de Cultura Contemporânea, com o Ensemble de Clarinetes da ESART e convidados especiais.
Os bilhetes custam 8 euros (24 e 25 de outubro) e 5 euros (26 de outubro), havendo um passe geral de 15 euros para os três concertos.
Castelo Branco: um outubro cheio de vida

Entre o pensamento crítico de Aguarda Referendo e a beleza musical do FICCB, Castelo Branco confirma-se como um dos polos culturais mais dinâmicos do país. Dois eventos que mostram que a arte, em todas as suas formas, pode ser um espaço de encontro, de celebração e de liberdade.
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