Portugal & Nós Cultura Vida Prática & Dinheiro

Domingos de Tango em Lisboa: o argentino que transformou A Barraca numa milonga portenha

Há sons que nos transportam para outro lugar — e poucos o fazem tão intensamente como o tango. Em Lisboa, todos os domingos, o Bar do Teatro A Barraca, em Santos, enche-se de música, passos e abraços que poderiam muito bem ter nascido no coração de Buenos Aires. O culpado (ou o maestro) chama-se Ale Laguna, argentino de alma e lisboeta por escolha, que há mais de 25 anos fez da capital portuguesa a sua segunda casa.

ver também : Jazz ao Centro: Coimbra volta a pulsar ao ritmo do improviso

A sua missão é simples e apaixonada: partilhar o espírito das milongas argentinas com todos os que têm curiosidade em experimentar algo diferente, autêntico e profundamente humano. E o resultado é um dos encontros culturais mais genuínos e acolhedores da cidade.

Um pedaço de Buenos Aires no coração de Lisboa

Às 19h15 de cada domingo, as portas do Bar do Teatro A Barraca abrem-se a quem queira aprender os primeiros passos — ou apenas sentir o compasso do tango. A aula, com 90 minutos de duração, é conduzida pelo próprio Ale Laguna, que traz consigo o ritual portenho das milongas: aquele encontro entre música, corpo e emoção, onde dançar é também conversar sem palavras.

Mas o ambiente não se fica pela técnica. Depois da aula, o espaço transforma-se numa milonga verdadeira, com luzes baixas, taças erguidas e corpos que se movem em harmonia com as melodias de Gardel, Pugliese ou Piazzolla. É o momento em que a dança se liberta e a noite ganha vida.

Para quem vai pela primeira vez, há uma surpresa especial: a entrada na milonga é gratuita. Um convite aberto para mergulhar neste universo feito de emoção e improviso, mesmo para quem nunca deu um passo de tango.

Sem par, sem experiência — só vontade

Uma das marcas deste projecto é a sua inclusividade. Aqui, ninguém fica de fora. Não é preciso par, nem experiência prévia — basta a curiosidade e o desejo de se mover ao ritmo do bandoneón. Ale Laguna insiste que o tango é, acima de tudo, um encontro: “não é uma coreografia perfeita, é uma conversa entre dois corpos, um diálogo de confiança”, costuma dizer.

O ambiente é descontraído, acolhedor e, acima de tudo, humano. Muitos dos que hoje dançam com elegância começaram por chegar sozinhos, movidos pela curiosidade de descobrir o tango — e acabaram por encontrar uma nova comunidade em Lisboa.

Mais do que dança: um acto de partilha

Tango A Barraca é também um projecto de intercâmbio cultural. Através dele, Ale Laguna tem vindo a aproximar portugueses e argentinos, explorando a dimensão emocional e social desta arte. “A milonga é um espaço onde todos se encontram de igual para igual. O tango nasce da rua, das esquinas, do convívio. É, por natureza, uma celebração do encontro”, explica o professor.

As noites de domingo acabam, invariavelmente, entre conversas, música e gargalhadas. E há uma sensação quase mágica no ar: a de que Lisboa, por algumas horas, se torna um prolongamento natural de Buenos Aires.


Como participar

ver também : Maternidade de Primeira Viagem: o que a Ciência Diz Sobre a Missão Mais Transformadora da Vida

Mais do que uma aula de dança, este é um convite à conexão — consigo, com os outros e com a música. No fim, percebe-se que o tango não é apenas um género musical. É uma linguagem, uma emoção, um abraço. E todos os domingos, em Lisboa, fala-se fluentemente essa língua no Bar do Teatro A Barraca.

[fbcomments]

Também poderá gostar



Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *