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O Sofrimento do Regresso ao Trabalho Após a Licença de Maternidade: Como as Mães Podem Conciliar Carreira e Família

O nascimento de um filho marca uma mudança profunda na vida de qualquer mulher. Depois de semanas ou meses dedicados quase em exclusivo ao bebé, chega o momento do regresso ao trabalho — e com ele uma mistura de emoções que vai da ansiedade à culpa, passando por receios em relação ao futuro profissional.

Um estudo publicado na Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental destaca precisamente este impacto emocional e psicológico sentido pelas mães no regresso ao trabalho, descrevendo-o como um momento de sofrimento que exige grande capacidade de adaptação e resiliência【scielo.pt†source】.

Ansiedade, Culpa e Pressão Social

Segundo a investigação, muitas mães relatam sentimentos de culpa por deixarem o bebé ao cuidado de terceiros, ainda que confiáveis, e também de ansiedade perante a reintegração profissional. A pressão não vem apenas do interior: a sociedade continua a exigir que a mulher seja simultaneamente uma mãe dedicada e uma profissional exemplar, criando um peso acrescido nesta transição【scielo.pt†source】.

Desafios na Conciliação

Entre os obstáculos mais mencionados estão:

  • A dificuldade em manter a amamentação com os horários de trabalho;
  • A gestão de rotinas domésticas e cuidados com o bebé;
  • pressão no local de trabalho para manter níveis de produtividade idênticos aos anteriores;
  • impacto na saúde mental, com relatos de stress, fadiga e por vezes sintomas depressivos.

Estratégias Possíveis

O estudo salienta que, apesar das dificuldades, há caminhos para tornar esta transição menos dolorosa:

  • Conhecer os direitos legais: em Portugal, a lei prevê dispensa para amamentação e adaptações horárias que podem facilitar a conciliação.
  • Negociar com o empregador: horários flexíveis, teletrabalho parcial ou períodos de adaptação podem ser soluções viáveis.
  • Rede de apoio: partilhar responsabilidades com o parceiro, família alargada ou recorrer a serviços de confiança faz a diferença.
  • Autocompaixão e realismo: aceitar que não é possível ser “perfeita” em todos os papéis, definindo prioridades e reservando tempo para si.

O Papel das Organizações

Os investigadores sublinham ainda que a responsabilidade não deve recair apenas sobre a mãe. As empresas podem ter um papel determinante ao criarem ambientes laborais mais empáticos, que reconheçam as necessidades específicas desta fase e implementem políticas de conciliação entre vida profissional e pessoal【scielo.pt†source】.


O regresso ao trabalho após a licença de maternidade não é apenas um passo na carreira: é também um momento delicado na vida familiar. Quando a sociedade, as instituições e as famílias se organizam para apoiar as mães nesta fase, todos saem a ganhar — desde o bem-estar da mulher até ao desenvolvimento saudável do bebé.

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