Cem anos depois da chegada do Bauhaus a Dessau, a cidade alemã mantém-se como epicentro de peregrinação para apaixonados pelo design e pela arquitetura moderna. O edifício-símbolo, projetado por Walter Gropius em 1925 e concluído em 1926, continua a ser descrito como uma construção revolucionária — “pousou aqui como uma nave alienígena”, recorda Oliver Klimpel, da Fundação Bauhaus Dessau.
A escola que mudou a forma de viver
Fundada em 1919 em Weimar, a escola rejeitou os princípios tradicionais e procurou unir arte, indústria e funcionalidade. A mudança para Dessau marcou o período mais fértil da instituição: foi aqui que Marcel Breuer desenhou a famosa cadeira Wassily e que se experimentaram novos materiais como o contraplacado e os tubos de aço.

Os estúdios de estudantes e mestres, conhecidos como Prellerhaus, ainda hoje podem ser ocupados por visitantes que queiram viver a experiência em primeira mão. Com mobiliário inspirado nos antigos residentes — de Josef Albers a Marianne Brandt —, o espaço mantém o espírito de laboratório criativo.
Ícones que resistem ao tempo
Para além do edifício central, a cidade guarda outros marcos do movimento: as Casas dos Mestres, onde viveram Kandinsky, Klee, Moholy-Nagy e o próprio Gropius; o Kornhaus, restaurante com vista para o Elba; o Arbeitsamt, escritório de emprego em tijolo amarelo; e o bairro residencial Dessau-Törten, projetado entre 1926 e 1928 para responder à crise habitacional.
Desde 2019, o Museu Bauhaus Dessau reforça esta herança com a segunda maior coleção de objetos ligados à escola, incluindo notas de aulas e protótipos de oficina.
Centenário com celebrações até 2026
O programa “An die Substanz/To the Core” assinala o centenário da mudança para Dessau com exposições, visitas digitais e recriações contemporâneas das “danças materiais” de Oskar Schlemmer. Estão previstos cinco grandes núcleos expositivos a abrir em março de 2026, para aprofundar a relação entre materiais modernos e o espírito vanguardista do Bauhaus.

Uma cidade entre o passado e o futuro
Apesar do fascínio internacional, Dessau também espelha os desafios de muitas cidades do leste alemão: perda populacional, envelhecimento e ascensão política da extrema-direita. Ainda assim, para quem percorre de bicicleta, de autocarro ou a pé os vários pontos da cidade, é impossível não sentir a força de uma escola que, entre festas de estudantes, oficinas ruidosas e projetos visionários, moldou o design global.
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