É uma das frases mais repetidas quando se fala de alimentação: “até gostava de comer melhor, mas isso é para quem pode”. A ideia de que uma alimentação saudável é necessariamente mais cara está tão enraizada que muitas pessoas nem a questionam. Fruta, legumes, peixe fresco, produtos “bio”, rótulos verdes e embalagens minimalistas parecem confirmar o preconceito. Mas será mesmo assim?
A resposta curta é: não necessariamente.
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O custo da alimentação depende menos de “comer saudável” e mais de como, onde e o quê se escolhe comprar. O mito nasce, em grande parte, da associação entre alimentação saudável e produtos ultraprocessados com imagem saudável — barras, snacks “fit”, bebidas funcionais, sementes exóticas ou superalimentos importados. Esses produtos são, de facto, caros. O problema é que não são essenciais para uma alimentação equilibrada.
Quando olhamos para a base da alimentação saudável — legumes, frutas da época, leguminosas secas, ovos, arroz, massa, batatas, conservas simples de peixe ou tomate — os preços tornam-se muito mais acessíveis. Lentilhas, feijão ou grão-de-bico custam pouco, são nutritivos e saciantes. Um prato de sopa caseira continua a ser uma das refeições mais baratas e completas que existem.
Outro factor frequentemente ignorado é o custo do desperdício. Alimentações desorganizadas, compras impulsivas e refeições fora de casa frequentes tornam qualquer padrão alimentar caro, saudável ou não. Comer “mal” também pesa na carteira, sobretudo quando envolve snacks, bebidas açucaradas, refeições prontas ou encomendas frequentes.
É verdade que alguns alimentos saudáveis podem ser mais caros — peixe fresco, frutos secos ou certos laticínios, por exemplo. Mas uma alimentação equilibrada não precisa de incluir tudo, todos os dias. Planeamento, escolhas sazonais e simplicidade fazem mais diferença no orçamento do que etiquetas ou modas alimentares.
O mito persiste porque confunde ideal instagramável com realidade quotidiana. Comer saudável não é montar pratos perfeitos todos os dias. É criar um padrão alimentar possível, sustentável e adequado à vida real. E isso, na maioria das vezes, não é mais caro — apenas exige menos ruído e mais critério.
No Fada do Lar, gostamos de desmontar ideias que afastam as pessoas de escolhas melhores. Comer saudável pode ser caro se for tratado como produto de luxo. Mas enquanto prática quotidiana, é muitas vezes mais simples — e mais económica — do que parece.
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✅ Conclusão rápida
⚠️ VERDADEIRO, MAS…
👉 Comer saudável:
- não é necessariamente mais caro
- pode ser acessível com escolhas simples
- depende mais de planeamento do que de orçamento
👉 O que encarece a alimentação:
- produtos ultraprocessados “saudáveis”
- refeições fora de casa frequentes
- desperdício alimentar
Comer bem não é luxo.
É, muitas vezes, uma questão de simplicidade.
🔬 Base científica (fontes credíveis)
- Organização Mundial da Saúde (OMS) — Healthy diets
- Harvard T.H. Chan School of Public Health — Cost of healthy eating
- European Food Information Council (EUFIC) — Is healthy food more expensive?
- British Nutrition Foundation — Affordable healthy eating
- FAO — Healthy diets and affordability

