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Como aprende o cão

O ser humano, para aprender, pode servir-se do raciocínio. O cão, em contrapartida, aprende através do condicionamento.

O homem pode usar a sua razão para levar a cabo um complexo sistema de aprendizagem abstrata ou virtual. Pode considerar premissas e estabelecer conclusões. Pode discernir os caminhos mais curtos para alcançar os fins desejados. Cada nova geração pode servir-se da experiência das anteriores para começar num nível superior de conhecimento, sem incorrer necessariamente nos mesmos erros dos seus predecessores.

Os animais, porém, nascem com um potencial instintivo geneticamente determinado pelos seus antecessores e pela sua própria espécie. Mas as suas experiências individuais, na maior parte dos casos, não são transmissíveis à descendência.

Se um certo estímulo gera um determinado impulso, o cão procura satisfazer o seu instinto realizando ações imprecisas e inatas. Assim, a aprendizagem ocorre através do método de tentativa e erro. Durante o treino, pelo contrário, é realizada através do condicionamento dirigido pelo treinador.

O treinador gera um impulso, cria no cão a necessidade de o satisfazer e mostra-lhe o comportamento que, em cada um dos casos, será útil para tal efeito. Só este devolverá a calma ao animal, sendo assim reforçado o ciclo, de modo que na próxima vez em que apareça o mesmo estímulo o comportamento surgirá mais cedo e com maior expressividade.

Por conseguinte, durante o treino é preciso criar uma série de agentes estimuladores que exerçam efeito sobre o cão, gerando o desejo de ação, e um conjunto de agentes de reforço capazes de satisfazer a pulsão suscitada no cão.

São estímulos positivos todos aqueles que produzem no cão o desejo de os possuir ou alcançar. Assim, por exemplo, para o instinto gregário constitui um estímulo o afastamento do condutor; para o instinto de caça, o movimento da presa ou dos alimentos; para o instinto de defesa, a aproximação de um possível oponente.

Tanto os estímulos como os reforços podem ser biológicos ou condicionados. Por exemplo, a comida ou a água são estímulos biológicos. Na ausência de condicionamento, têm por si mesmos um significado concreto para o cão. Comer quando se tem fome ou beber quando se tem sede satisfaz a pulsão correspondente.

No entanto, para que um afago ou a felicitação «bem!» sejam gratificantes, é preciso que anteriormente tenha havido uma fase de condicionamento.

Na obediência quotidiana, não é preciso que exista grande vigor nas respostas. Pelo contrário, se o treinador não for suficientemente experiente, um elevado grau de atividade pode dificultar a aprendizagem. E há cães aos quais custa muito lidar com o autocontrolo num nível elevado de excitação.

No treino cívico, por conseguinte, é preferível recorrer a estímulos e reforços como a voz, o afago e o alimento, em vez da presa, que gera demasiada excitação.

O trabalho mais intenso é reservado para a obediência desportiva, no decurso da qual o cão tem de mostrar a sua capacidade para usar toda a sua energia.

A obediência cívica requer que o cão se comporte tranquila e sensatamente. Portanto, que saiba trabalhar com pouca tensão, o que lhe permitirá dosear melhor as suas forças e cumprir durante mais tempo. Seria impensável que um cão permanecesse durante meia hora a realizar um «seguimento ao lado» com a atitude que se exige nos certames de obediência, mas é perfeitamente possível que o faça descontraidamente durante um passeio de duas horas.

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