Há uma predisposição natural no ser humano para se resignar com a sua condição de vida, em particular quando esses são os traços dominantes no seu meio.
A resignação consiste na perpetuação de determinada situação onde nada se altera e ela manifesta-se da seguinte forma:
• Ou pela vitimização silenciosa e aceitação passiva — do tipo «tratam-me assim porque sou indefeso» (criança, mulher, velho, pobre…);
• Ou pelo protesto e pela revolta;
• Ou pela lamentação e crítica mordaz, considerando-se o seu autor o único detentor da razão e visão clara.
Como alterar este padrão
Quando a pessoa se resigna com a sua condição é como se a sua infelicidade, fosse um estado natural. Para alterar estas condições, pouco ou nada adianta o estímulo exterior (tal como ouvir uma palestra, ler um livro, aceitar um conselho…); entende-se, concorda-se… mas nada se faz para mudar.
O motor da transformação terá de ser interior pela observação consciente, desapegada e isenta de julgamento de si mesmo. Quando isso não acontece, ocorre um agravamento da sua condição (muitas vezes, por uma ocorrência dramática) que a faz “despertar”. Quantas vezes não somos involuntariamente “empurrados” para a mudança…
Sempre que se afirma: «Eu tenho de fazer» ou «Eu devo mudar isso» tal corresponde apenas à tomada de consciência profunda da necessidade de mudar. E este é o primeiro passo para a mudança. Mas, ele não faz a mudança. Por vezes, decorre um longo período em que repetimos mental ou verbalmente esta frase para nós mesmos ou para os outros — tanto, até que ao adquirirmos o novo hábito de o repetirmos, o internalizamos (passando ele a fazer parte de nós) e perpetuamos a resignação a esse mesmo estado.
O problema reside no facto de termos ficado presos em mais um “dever”, em mais uma imperiosidade em fazer algo, em mais um esquema mental, que assim permanecerá até que finalmente tenhamos a força de vontade para passar à ação.
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