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Depilação integral: é perigoso?

A depilação íntima total é uma escolha cada vez mais comum, sobretudo nos meses de calor. Mas será realmente segura? Estudos científicos recentes ajudam a perceber melhor os riscos, os benefícios e o que deve ser tido em conta antes de pegar na lâmina ou marcar a próxima sessão de cera.

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O papel natural dos pêlos púbicos

Os pêlos púbicos não estão ali por acaso. Funcionam como barreira protetora contra microrganismos, atrito e pequenas agressões na pele. Também ajudam a reduzir o risco de infeções, protegendo a mucosa vulvar de fricção e irritações causadas por roupa apertada ou suor excessivo.

Quando removidos, parte dessa proteção desaparece — e é precisamente aqui que começam as preocupações da comunidade científica.

O que dizem os estudos sobre riscos e infeções

Investigadores da PLOS One e da BMC Women’s Health analisaram a relação entre a depilação genital e a ocorrência de infeções cutâneas e genitais. Os resultados mostram que a remoção integral dos pêlos pode causar microlesões, facilitando a entrada de vírus e bactérias¹².

Essas pequenas feridas — muitas vezes impercetíveis — estão associadas a casos de foliculite (inflamação dos folículos pilosos), pêlos encravadosardor e até a um ligeiro aumento do risco de infeções sexualmente transmissíveis (como o HPV ou o molusco contagioso)³⁴.

Contudo, os cientistas sublinham que a maioria das infeções ocorre quando a depilação é feita com métodos agressivos ou com pouca higiene, e não necessariamente devido à remoção dos pêlos em si.

Complicações dermatológicas mais comuns

Segundo uma revisão publicada no Skin Therapy Letter, cerca de 60 % das mulheres que removem pêlos púbicosrelatam algum tipo de complicação dermatológica⁵. As mais frequentes incluem:

  • Irritação da pele e vermelhidão;
  • Pêlos encravados (pseudofoliculite);
  • Foliculite bacteriana ou fúngica;
  • Pequenas lacerações e inflamações por fricção;
  • Hiperpigmentação ou escurecimento da pele após uso de cera quente.

Estas reações são, na maioria dos casos, leves e temporárias, mas podem agravar-se com o uso repetido de lâminas ou depilação demasiado frequente.

O que a ciência diz sobre possíveis benefícios

Curiosamente, a depilação não é apenas estética. Há investigações que sugerem que, em certas doenças dermatológicas, como a hidradenite supurativa (inflamação crónica das glândulas sudoríparas) ou a foliculite recorrente, a remoção parcial dos pêlos pode ajudar a reduzir o desconforto e a inflamação⁶.

No entanto, a evidência é limitada e depende do tipo de pele, da técnica utilizada e da frequência.

Recomendações práticas para uma depilação segura

A ciência não condena nem recomenda a depilação integral — apenas aconselha bom senso e precaução. Para reduzir riscos, especialistas em dermatologia e ginecologia sugerem:

  • Usar sempre material limpo e individual, seja lâmina ou cera;
  • Evitar depilar imediatamente antes ou depois da menstruação, quando a pele está mais sensível;
  • Hidratar a pele com produtos suaves e sem álcool;
  • Evitar relações sexuais nas 24 horas seguintes à depilação integral, para permitir a regeneração da pele;
  • Dar intervalos entre sessões, especialmente se notar irritação ou foliculite;
  • Consultar um dermatologista caso surjam sintomas persistentes.

Em resumo

Não existe resposta única: a depilação integral é uma escolha pessoal. O que a ciência nos mostra é que ela não é, por si só, perigosa — mas pode trazer riscos se feita com métodos inadequados ou sem os cuidados certos.

O corpo fala, e a pele também. O segredo está em escutá-los, respeitando os seus limites e as suas reações.

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Referências científicas

¹ PLOS One (2019): “Pubic Hair Grooming Practices and Microtrauma in Women”.

² BMC Women’s Health (2024): “Association between pubic hair removal and infection risk in women”.

³ Dermatology Times (2023): “Pubic hair removal and risk of viral infection”.

⁴ Journal of the American Academy of Dermatology (2020): “Skin complications associated with genital hair removal”.

⁵ Skin Therapy Letter (2021): “Hair Removal Practices: A Literature Review”.

⁶ Actas Dermo-Sifiliográficas (2023): “Chronic dermatologic conditions and pubic hair removal”.

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