Porque falamos diariamente em dietas e boa alimentação quis dar relevância a esta notícia que surgiu hoje:
O mundo do fitness digital voltou a confrontar-se com a sua própria sombra: a pressão para criar conteúdos cada vez mais extremos. Dmitry Nuyanzin, influencer russo e treinador com milhares de seguidores, morreu aos 30 anos depois de iniciar um desafio radical que pretendia transformar numa série de vídeos motivacionais — mas que acabou por ter um desfecho trágico.
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O objectivo de Nuyanzin era simples na teoria, absurdo na prática: engordar 25 quilos a comer exclusivamente fast food e, em seguida, perder todo esse peso através de um programa de treinos criado por si. Era a fórmula perfeita para atrair visualizações — transformação física, superação e aquele toque de “eu consigo, tu também consegues”. Mas o corpo humano tem limites que não se compadecem com algoritmos.
Segundo o canal local Ostorozhno Novosti, informação que foi entretanto avançada pelo Daily Mail e The Sun, o treinador passou vários dias a ingerir cerca de 10 mil calorias diárias. Pequenos-almoços compostos por bolos, almoços e jantares dominados por hambúrgueres e piza, tudo partilhado religiosamente nas redes sociais como parte do “experimento”.
O resultado começou a notar-se depressa demais: em apenas um mês, Dmitry passou dos seus habituais 92 quilos para 105 kg, ganhando 13 quilos em tempo recorde. A 18 de Novembro, continuava a filmar conteúdo, apesar de confessar sentir-se cada vez pior. Na véspera da sua morte, cancelou os treinos com os seus clientes, dizendo que não estava bem.
Horas depois, sofreu uma paragem cardiorespiratória enquanto dormia.
A notícia rapidamente reacendeu o debate sobre até que ponto os criadores de conteúdos fitness se sentem obrigados a testar o corpo até ao limite — não para melhorar a saúde, mas para manter a atenção dos seguidores. No caso de Nuyanzin, o desafio incluía ainda um elemento competitivo: prometera pagar cerca de 100 euros a qualquer seguidor com mais de 100 kg que conseguisse perder 10% do seu peso até ao início de 2026.
O influencer tinha formação sólida — estudou na Escola Olímpica de Oremburgo e numa universidade em São Petersburgo — e trabalhava há uma década como personal trainer. O que torna este caso ainda mais perturbador: não foi ignorância, foi a pressão constante de “ir mais longe” para garantir relevância.
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A tragédia de Dmitry Nuyanzin deixa um alerta duro, mas necessário: o corpo não é um laboratório de conteúdos virais. E, por vezes, a linha entre “desafio inspirador” e “risco fatal” é mais fina do que parece no ecrã.
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