Saúde e Bem Estar

Comer muito açúcar provoca diabetes? A ciência responde ao mito que teima em persistir

A frase “comer muito açúcar provoca diabetes” é repetida há décadas — mas será mesmo verdade? A resposta não é tão simples quanto parece.

ver também : Quantos anos esteve lá dentro?”: o bebé de 6 quilos que está a deixar o TikTok em choque

Federação Internacional da Diabetes (IDF) estima que existam mais de 500 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo. Em Portugal, segundo a Sociedade Portuguesa de Diabetologia, cerca de um milhão de portuguesesvive com a doença, sendo que uma parte significativa desconhece o diagnóstico.

🍬 Comer muito açúcar provoca diabetes?

Mito.

A ciência é clara: o consumo de açúcar, por si só, não causa diabetes.

O que acontece é que o excesso de calorias (proveniente do açúcar, das gorduras ou de qualquer outro nutriente) pode levar à obesidade e resistência à insulina, dois fatores de risco determinantes para o desenvolvimento da diabetes tipo 2.

De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento global dos casos de diabetes está fortemente ligado ao sedentarismo e às dietas ricas em produtos ultraprocessados. Ou seja, o açúcar é apenas uma parte do problema — e não a causa isolada.

🤝 A diabetes é contagiosa?

Mito.

A diabetes não se transmite por contacto físico, gotículas ou superfícies.

O que se “herda”, na verdade, é a predisposição genética e, muitas vezes, os hábitos familiares: uma casa onde se come mal e se faz pouco exercício cria terreno fértil para a doença surgir mais cedo.

⚖️ A insulina faz engordar?

Verdade (até certo ponto).

A insulina é uma hormona anabólica, ou seja, promove o armazenamento de energia.

Quando um doente inicia tratamento, é normal recuperar algum peso perdido antes do diagnóstico.

Contudo, o aumento excessivo de peso está geralmente relacionado com alimentação inadequada ou falta de atividade física, e não com a insulina em si.

Segundo a American Diabetes Association, uma gestão alimentar equilibrada e exercício regular minimizam este efeito.

👀 Os sintomas da diabetes são sempre evidentes?

Mito.

diabetes tipo 2 pode evoluir silenciosamente durante anos.

Sintomas como sede excessiva, urinar frequentemente, fadiga, visão turva ou perda de peso inexplicada podem passar despercebidos — e por isso o diagnóstico costuma ser feito tardiamente, muitas vezes em análises de rotina.

Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda a monitorização regular da glicemia em pessoas com mais de 45 anos ou com fatores de risco (excesso de peso, histórico familiar, hipertensão, colesterol elevado).

❤️ A diabetes pode afetar a vida sexual?

Verdade.

O excesso prolongado de glicose no sangue danifica os vasos e nervos responsáveis pela irrigação dos órgãos sexuais, podendo causar disfunção erétil nos homens e redução da libido nas mulheres.

Um bom controlo da glicemia, aliado à gestão da pressão arterial e do colesterol, reduz significativamente o risco destas complicações.

🍰 Pessoas com diabetes podem comer doces?

Verdade (com moderação).

As recomendações atuais são claras: não é necessário eliminar totalmente o açúcar, mas integrá-lo de forma controladadentro do plano alimentar.

Em ocasiões especiais, é possível substituir outro hidrato de carbono por uma sobremesa — sempre com equilíbrio.

E, em caso de hipoglicémia (valores inferiores a 70 mg/dl), o consumo de um doce é até necessário para estabilizar os níveis de glicose.

🏃‍♀️ É possível prevenir ou atrasar a diabetes?

Verdade.

Estudos de longo prazo — como o Diabetes Prevention Program (EUA) e o Finnish Diabetes Study — mostraram que mudanças simples no estilo de vida (perda de 5 a 7% do peso corporal, exercício regular e alimentação equilibrada) reduzem em 58% o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Mesmo após o diagnóstico, hábitos saudáveis ajudam a reverter fases iniciais e a atrasar complicações graves como enfarte, AVC, insuficiência renal ou amputações

💬 O essencial a reter

A relação entre açúcar e diabetes é indireta, mas real: não é o doce em si, mas o estilo de vida global que determina o risco.

ver também : Piolhos e Crianças: Um Pequeno Parasita, um Grande Clássico da Infância

A prevenção passa por:

  • controlar o peso e o perímetro abdominal;
  • manter uma dieta rica em vegetais, frutas e cereais integrais;
  • reduzir o consumo de alimentos processados;
  • praticar atividade física regular;
  • realizar análises de rotina a partir dos 40-45 anos.

A boa notícia? Mesmo pequenas mudanças podem fazer uma enorme diferença.

Fontes:

  • Organização Mundial da Saúde (OMS)
  • Sociedade Portuguesa de Diabetologia
  • Direção-Geral da Saúde (DGS)
  • American Diabetes Association
  • Diabetes de Bolso (Ana Paula Pona e Magda Sofia Silva, Lidel, 2023)

[fbcomments]

Também poderá gostar



Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *