O verão pode ter terminado, mas a pele continua a contar a história dos meses de sol. Manchas, sinais e pequenas alterações cutâneas tornam-se mais visíveis quando o bronzeado começa a desaparecer — e é precisamente nessa altura que devemos prestar atenção.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a exposição excessiva à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para o cancro da pele, nomeadamente o melanoma, a forma mais grave desta doença¹. E embora Portugal não seja um dos países com maior incidência, os dermatologistas alertam que o número de casos tem vindo a aumentar, sobretudo entre adultos com mais de 50 anos².
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Quando um sinal deixa de ser apenas um sinal
A maior parte das manchas e sinais é benigna, mas algumas podem esconder lesões pré-cancerosas. Para facilitar a vigilância, os dermatologistas recomendam seguir a regra do ABCDE, criada por investigadores norte-americanos e adotada internacionalmente³.
A – Assimetria: se metade do sinal não é igual à outra, há motivo para observação.
B – Bordas: contornos irregulares ou mal definidos são sinal de alerta.
C – Cor: tons mistos (preto, castanho, vermelho, azul, branco) devem ser avaliados.
D – Diâmetro: sinais maiores que 6 milímetros requerem atenção.
E – Evolução: qualquer alteração no tamanho, cor, forma ou sintomas (como comichão ou sangramento) merece uma visita ao dermatologista.
Entre todos, o “E” de Evolução é o critério mais importante — segundo estudos recentes, é o que melhor antecipa casos suspeitos de melanoma⁴. Por isso, o autoexame deve ser regular, idealmente uma vez por mês, num local com boa luz e com a ajuda de um espelho.
O que a ciência diz sobre prevenção
Mesmo após o verão, os raios UV continuam ativos em dias claros e frios. A Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia recomenda manter a aplicação diária de protetor solar com FPS 30 ou superior, especialmente no rosto, pescoço e mãos⁵.
A investigação científica também confirma que a utilização prolongada de protetores solares reduz significativamente a incidência de carcinoma cutâneo⁶. Além disso, os antioxidantes tópicos (como vitaminas C e E) ajudam a reparar o stress oxidativo causado pela exposição solar⁷.
Evitar solários é outro ponto essencial. A Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro classifica as camas de bronzeamento como carcinogénicas para humanos, comparáveis ao tabaco⁸. Estudos mostram que o seu uso antes dos 30 anos aumenta em 75% o risco de melanoma⁹.
Como cuidar da pele depois do verão
Além de vigilância, a pele agradece gestos simples:
- Repor a hidratação com cremes ricos em ceramidas e antioxidantes;
- Evitar esfoliações agressivas nas semanas seguintes à exposição solar;
- Usar chapéus e roupa leve de manga comprida em atividades ao ar livre;
- Fotografar os sinais a cada dois ou três meses para acompanhar alterações;
- Consultar um dermatologista caso surja qualquer sinal novo, assimétrico ou que mude rapidamente.
Os meses após as férias são ideais para uma avaliação dermatológica completa — não por alarmismo, mas por prevenção. A pele tem memória, e o que fazemos hoje pode ditar a saúde de amanhã.
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Fontes científicas
¹ Organização Mundial da Saúde (WHO) — Skin Cancers: Prevention and Early Detection.
² Actas Dermo-Sifiliográficas (2025), “The evolving landscape of melanoma in Portugal”.
³ Journal of the American Medical Association (1985), “Early recognition of malignant melanoma: the ABCD rule”.
⁴ JAMA Dermatology (2019), “The Evolution Criterion in Melanoma Detection”.
⁵ European Academy of Dermatology and Venereology (EADV), Guidelines for Sun Protection.
⁶ New England Journal of Medicine (2011), “Sunscreen use and incidence of skin cancer”.
⁷ Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology (2020), “Topical antioxidants and UV-induced skin damage”.
⁸ IARC Monographs on the Evaluation of Carcinogenic Risks to Humans, Vol. 100D.
⁹ British Medical Journal (2012), “Indoor tanning and melanoma risk: systematic review and meta-analysis”.
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