Saúde e Bem Estar

Dia Mundial do Alzheimer: Entre a Esperança dos Novos Tratamentos e as Perguntas que Ficam

O Alzheimer continua a ser um dos maiores enigmas da medicina moderna. Responsável por cerca de 70% dos casos de demência no mundo e uma das principais causas de morte entre os mais idosos, esta doença ainda não tem cura. Mas, em 2025, os avanços são visíveis – e pela primeira vez em décadas fala-se em medicamentos que conseguem abrandar a progressão da doença e até em testes de diagnóstico muito mais simples e acessíveis. No entanto, o entusiasmo vem acompanhado de prudência e debate.

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Novos medicamentos: esperança ou ilusão?

Durante anos, milhões foram investidos em busca de uma terapêutica eficaz, sem resultados concretos. Agora, surgem duas novidades: o donanemab da Eli Lilly e o lecanemab (comercializado como Leqembi) da Biogen e Eisai. Estes fármacos mostraram, pela primeira vez, capacidade para abrandar significativamente a evolução do Alzheimer, mas apenas em fases iniciais da doença.

A boa notícia é temperada pela realidade: os efeitos são modestos, o custo é elevadíssimo e os riscos não são desprezáveis – incluindo hemorragias cerebrais potencialmente fatais. Não admira, por isso, que as autoridades de saúde estejam divididas. Enquanto os Estados Unidos já aprovaram o Leqembi, países como França e Reino Unido consideram que o benefício não justifica o preço.

Diagnóstico precoce: sangue ou punção lombar?

Até agora, a forma mais fiável de diagnosticar Alzheimer passava por um exame invasivo: a punção lombar. Mas uma nova análise ao sangue promete mudar o jogo, ao detetar marcadores biológicos associados à doença.

Nos EUA, o teste já está autorizado desde maio. Na Europa, a aprovação ainda não aconteceu e a discussão divide especialistas. A grande questão é: será suficiente confiar apenas nos biomarcadores? A Associação de Alzheimer dos EUA já considera que sim, mas muitos neurologistas europeus lembram que nem todos os doentes com marcadores anormais desenvolvem demência.

Este ponto liga-se diretamente aos novos medicamentos: quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior poderá ser o impacto dos fármacos em travar o avanço da doença.

E a prevenção, é possível?

Se há algo em que os cientistas concordam é que os fatores de risco contam – e muito. Quase metade dos casos de demência pode estar ligada a obesidade, sedentarismo, consumo de álcool e tabaco ou até à perda de audição.

A dúvida é se mudar estes comportamentos se traduz, de facto, em menos casos de Alzheimer. Ensaios clínicos recentes sugerem efeitos limitados, mas não nulos. Um estudo publicado na JAMA mostrou que, após dois anos de apoio intensivo para adotar hábitos de vida mais saudáveis, os doentes tiveram uma ligeira desaceleração no declínio cognitivo.

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Para os especialistas, pode parecer pouco. Mas, como explicou a epidemiologista francesa Cécilia Samieri, “em comparação com o que tínhamos há alguns anos, é já um avanço enorme”. Só investigações a muito longo prazo – 10 a 15 anos – poderão confirmar o verdadeiro impacto da prevenção.


👉 Em 2025, o Alzheimer continua sem cura, mas com mais luz ao fundo do túnel. Entre medicamentos que prometem abrandar a doença, diagnósticos cada vez menos invasivos e a consciência de que o estilo de vida conta, há razões para acreditar que o futuro pode ser mais favorável para doentes e famílias.

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