O engodo de que podemos conscientemente controlar o que se passa à nossa volta ou com a nossa própria vida, consome milhões de pessoas, deixando-as mais fracas e impotentes do que seriam, se abrissem mão da aparente segurança de se sentirem em controlo da sua vida e da dos outros.
Uma grande dose de boa vontade e teimosia não chegam para manter a vida sob controlo. O irónico passa despercebido quando viramos a cara para o lado e nos negamos a olhar de frente. As mentiras em que acreditamos estão à prova, dia após dia, para a maioria dos seres humanos.
Viver em estado de “alerta”
Quando assumimos uma atitude de controlo pomos em modo de resistência ao natural fluir da vida. As pessoas que mais tentam controlar as suas experiências vivem em estado de “alerta” permanente. Acabando por criar uma tensão crónica, uma ansiedade que lhes retira tudo aquilo que desejam através do controlo. É um dos truques mais bem guardados. A desconcertante situação que nos coloca à mercê de um fantasma que nos ilude constantemente sem nunca ser reconhecido ou posto em causa. Aquele que controla, não tem como não ser controlado pela sua necessidade de controlo. Costumamos dizer que aquele que guarda um prisioneiro fica tão aprisionado quanto aquele que guarda.
Não podemos viver em controlo sem nos tornarmos as suas primeiras vítimas! Ironia poderosa que nos escapa, tal como muitas outras que nos desgastam, tornando-se transparentes ao senso comum. Tanto quanto desejamos ter a certeza do que a vida nos reserva, desejamos, secretamente, perder o controlo. Já que uma parte de nós resiste à pressão de ter que prever e moldar as suas percepções de forma a dominar o que se passa.
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