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Vitória histórica feminina na Maratona do Gelo da Antártida com feito notável de uma atleta portuguesa

A Maratona do Gelo da Antártida acaba de entrar para a história do desporto mundial. Na sua 20.ª edição, disputada no passado domingo num dos ambientes mais extremos do planeta, aconteceu algo inédito: uma mulher venceu a classificação geral da prova, superando todos os homens em competição.

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A protagonista deste feito histórico é a australiana Catherine Drysdale, que dominou por completo as duríssimas condições da corrida — temperaturas de -8°C, com sensação térmica a rondar os -18°C, vento cortante e um percurso coberto de neve e gelo. Drysdale completou os 42,195 quilómetros em 3h48m43s, chegando à meta com mais de seis minutos de vantagem sobre o segundo classificado.

O segundo lugar da geral — e vencedor masculino — foi conquistado pelo russo Denis Nazarov, que terminou a maratona em 3h54m49s. A fechar o pódio esteve a polaca Joanna Drewnicka-Ogrodnik, com o tempo de 4h18m05s, garantindo que duas mulheres ocuparam dois dos três lugares do pódio, um cenário raríssimo em provas de resistência extrema.

A prova, reconhecida pelo Guinness World Records como a “Maratona mais austral da Terra”, reuniu este ano 53 atletas, entre eles 23 mulheres e 30 homens, vindos de diferentes partes do mundo, todos preparados para enfrentar uma corrida que testa não apenas a resistência física, mas também a capacidade mental de lidar com o frio, o isolamento e a imprevisibilidade do terreno antártico.

Entre as histórias mais marcantes desta edição está a da portuguesa Domitilia dos Santos, que, aos 70 anos, se tornou a mulher mais velha de sempre a completar a Maratona do Gelo da Antártida. A atleta concluiu a prova em 7h43m14s, num feito notável que reforça a dimensão humana e inspiradora deste evento. Numa corrida onde simplesmente terminar já é uma vitória, a presença de Domitilia dos Santos ganha um significado ainda maior.

Apesar do feito histórico de Catherine Drysdale, os recordes absolutos da maratona mantêm-se. O recorde femininopertence à norte-americana Liesl Muehlhauser, que em 2024 completou a prova em 3h29m16s, terminando então no terceiro lugar da geral. Já o recorde masculino continua nas mãos do irlandês Sean Tobin, com 2h53m33s, estabelecido em 2022.

Curiosamente, este tempo foi também o recorde continental da Antártida até ser batido no ano passado por William Maunsell, igualmente irlandês e treinado por Tobin, durante a primeira etapa da Great World Race, disputada em Wolf Fang, na Antártida.

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A vitória de Catherine Drysdale representa mais do que um triunfo individual. É um marco simbólico num desporto onde as condições extremas tendem a nivelar diferenças físicas, colocando em destaque a preparação, a estratégia e a resistência mental. Na Antártida, onde cada passo é uma batalha contra o ambiente, a australiana mostrou que a história também se escreve… no gelo.

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