Relações e Emoções

“Shrekking”: A Nova (e Arriscada) Tendência no Mundo dos Encontros

As redes sociais não param de inventar rótulos para os comportamentos amorosos, e o mais recente tem um nome que soa a ogre verde: “Shrekking”. Inspirado no famoso personagem da DreamWorks, este conceito já circula pelo TikTok e está a gerar debate — e críticas.

Mas afinal, o que é isto do Shrekking? Em termos simples, trata-se de “namorar para baixo”, ou seja, escolher alguém que se considera “abaixo dos próprios padrões”, com a intenção de ter a vantagem na relação. A lógica é a de que o outro lado deve sentir-se tão grato por estar consigo, que fará de tudo para agradar e manter o relacionamento.

Até aqui, parece uma estratégia de poder disfarçada de namoro. Mas como em todos os contos de fadas com moral escondida, há riscos — e nem sempre o final é feliz.

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Quando o feitiço vira contra o feiticeiro

Se o objetivo é controlar, a desilusão pode estar ao virar da esquina. Os vídeos que se espalham nas redes já batizaram o reverso da moeda: “levar com o Shrekking”, ou seja, ser surpreendido quando a pessoa supostamente “inferior” decide tratar o relacionamento de forma menos ideal do que se esperava… ou até terminar a relação.

Em resumo: quem procura o “alto terreno” pode acabar por perder o pé.

Uma hierarquia que (talvez) não exista

Um dos problemas desta tendência é assumir que existe uma hierarquia universal do namoro, onde todos sabem em que posição estão. Beleza, estatuto social, rendimento, popularidade — tudo parece ser colocado numa escala. Mas a realidade mostra que cada pessoa valoriza critérios diferentes e que a atração é, na sua essência, altamente subjetiva.

Além disso, ninguém fica no mesmo lugar para sempre. O charme físico, o estatuto profissional ou até a confiança pessoal podem mudar com o tempo. E quando a base da relação é apenas a suposta diferença de valor, a instabilidade está garantida.

Relações pedem igualdade, não ogres e princesas

O grande risco do Shrekking é simples: a falta de respeito mútuo. Uma relação construída na ideia de que um está acima do outro dificilmente sobreviverá ao teste do tempo. Como os próprios filmes do Shrek ensinam, a verdadeira ligação acontece quando ambos se aceitam de forma autêntica, sem máscaras nem rankings imaginários.

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Em vez de procurar a vantagem, talvez seja mais saudável procurar compatibilidade. Ou, dito de outra forma: se continua a querer “Shrekkar”, prepare-se para acabar com a relação transformada num verdadeiro pântano.

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