Giorgio Armani morreu esta quinta-feira, em Milão, aos 91 anos, deixando para trás um império que moldou a forma como o mundo veste, habita e até saboreia. O percurso do criador italiano foi tudo menos linear: começou por seguir Medicina, mas acabaria por redesenhar a história da moda com uma visão que privilegiava a simplicidade, a sofisticação e a intemporalidade.
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Dos corredores da Medicina às montras da moda
Nascido em Piacenza, no norte de Itália, a 11 de julho de 1934, Armani inscreveu-se em Medicina na Universidade de Milão. Porém, após três anos de curso, percebeu que o seu futuro não passaria pelos hospitais. O serviço militar acabou por lhe dar a primeira proximidade com a estética do vestuário, ao ser destacado para o Hospital Militar de Verona. Entre fardas e desfiles improvisados no coliseu da cidade, germinava já uma vocação diferente.
Em 1957, regressado a Milão, começou como vitrinista na loja La Rinascente. Pouco depois, o estilista Nino Cerruti reconheceu o talento do jovem e contratou-o para desenhar moda masculina. O talento depressa se transformaria em revolução.
A fundação de um império
Em 1975, Armani fundou, em parceria com o amigo Sergio Galeotti, a Giorgio Armani S.p.A. O ano seguinte ficaria marcado pelas primeiras coleções apresentadas em Milão – uma masculina e uma feminina –, que conquistaram a crítica e abriram caminho para a internacionalização.
O império Armani não se ficou pela alta-costura. Expandiu-se em várias direções: Armani Privé, Armani Collezioni, Emporio Armani, Armani Jeans, Armani Exchange, Armani Junior. E não só: vieram também os hotéis Armani Hotels, os restaurantes Armani Ristorante, a linha de decoração Armani Casa, os chocolates Armani Dolci e até as flores Armani Fiori.
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Em 2018, o grupo já valia mais de 5,9 mil milhões de euros, com a marca Giorgio Armani avaliada em quase 2,9 mil milhões. Depois da morte de Galeotti, em 1985, Armani manteve-se como único acionista e centro criativo. Orgulhava-se de nunca ter recorrido a empréstimos bancários, mantendo uma independência que lhe permitiu arriscar em novos negócios sem pressões externas.
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O estilo que mudou a moda
Conhecido como “Re Giorgio” (“Rei Giorgio”), Armani trouxe uma nova abordagem à alfaiataria: desconstruída, sóbria, elegante e intemporal. Vestiu estrelas de Hollywood e líderes mundiais, tornando-se referência absoluta da sofisticação moderna.
Mesmo em momentos de crise global, como a pandemia de COVID-19, Armani não deixou de inovar: em 2020 foi pioneiro ao realizar o primeiro desfile à porta fechada, transmitido em direto para o mundo.
Para ele, a fórmula era simples mas exigente: “Para criarmos algo de excecional, o foco tem de estar nos pequenos detalhes.” Paixão, risco, tenacidade e consistência eram as palavras que repetia como filosofia de vida e de trabalho.
O legado de um visionário
Da medicina ficou apenas a disciplina; da moda nasceu o império. Armani transformou tecidos em símbolos de poder, liberdade e estilo, deixando uma marca que ultrapassa fronteiras e gerações. Mais do que um estilista, foi um arquiteto de sonhos, capaz de transpor a sua visão para a passerelle, para hotéis de luxo ou para a simplicidade de um fato que se tornou uniforme de elegância global.
Giorgio Armani parte, mas o seu nome continuará inscrito na história não apenas da moda, mas da cultura contemporânea. Afinal, não é todos os dias que um estudante de medicina se torna rei.
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