Todos os pais já passaram por aquele momento em que tentam conversar com os filhos, mas de repente, eles parecem fechar-se e recusam-se a partilhar o que se passa nas suas vidas. Este fenómeno pode acontecer sem motivo aparente, especialmente a partir da pré-adolescência, e pode ser frustrante para os pais, levando a um “braço de ferro” emocional. Mas como devemos agir nestes momentos? Será que devemos insistir para que eles falem ou dar-lhes espaço?
De acordo com a psiquiatra americana Ying Wang, o desejo de que os nossos filhos falem connosco muitas vezes reflete mais a nossa necessidade de controlo do que a deles. Ao forçá-los a partilhar sentimentos, corremos o risco de os afastar ainda mais. “Os pais confundem, por vezes, a competência emocional com a satisfação das suas próprias necessidades,” refere a especialista.
O Que Fazer Quando Eles Se Calam?
A primeira coisa que devemos fazer é recuar e respirar fundo. Insistir em interrogatórios só aumentará o desconforto dos filhos, levando-os a fecharem-se ainda mais. No entanto, isso não significa desistir de criar um ambiente onde se sintam seguros para falar quando estiverem prontos. Diga-lhes que estará disponível sempre que precisarem de conversar, e que confia neles para pedir ajuda se houver algo verdadeiramente grave.
Nem sempre o silêncio dos filhos significa que algo está errado. Eles podem simplesmente não estar prontos para partilhar ou até mesmo não ter nada de relevante para dizer no momento. Crescer também envolve manter alguns segredos ou processos internos que nem sempre envolvem os pais, e isso é normal.
Formas de Manter a Comunicação Aberta
Embora insistir para que os filhos falem não seja a solução, há várias formas de manter a comunicação aberta de maneira subtil. Fazer atividades em conjunto, como um passeio, cozinhar ou ver televisão, pode criar um ambiente propício para que eles se sintam à vontade para falar, sem a pressão de um interrogatório direto. Outra ideia é partilhar memórias da sua própria infância, criando uma conversa mais leve e descontraída.
O importante é lembrar-se que o tempo e a paciência são essenciais. O seu filho acabará por partilhar quando se sentir preparado. E, claro, também há a possibilidade de que ele simplesmente não tenha nada a dizer neste momento. O silêncio também faz parte do processo de crescimento, e aprender a lidar com isso é fundamental para ambas as partes.
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